Encalhe de baleias jubarte é três vezes menor em 2011
01/12/2011

O levantamento realizado pelo Projeto Baleia Jubarte, de janeiro a novembro deste ano, registrou 34 encalhes de baleias jubarte ao longo da costa brasileira. O número é três vezes menor se comparado ao mesmo período de 2010, quando 96 jubartes encalharam no Brasil. Os estados com mais ocorrências foram Espírito Santo, com 13, Bahia, com 10, Rio de Janeiro com três encalhes, Ceará e Rio Grande do Norte com duas ocorrências. Rio Grande do Sul, Paraná, Maranhão e Santa Catarina tiveram um encalhe cada. Deste total, somente três baleias encalharam vivas, sendo que apenas uma delas foi resgatada com sucesso. O fato aconteceu em Areia Branca, no Rio Grande do Norte, numa operação marcada  por duas tentativas de resgate – a baleia voltou a encalhar após ser devolvida ao mar pela primeira vez. “Aparentemente estamos voltando para a média de encalhes que tínhamos antes de 2010. Isto reforça a hipótese de que ocorreu, em 2010, o que chamamos de mortalidade não-usual, ou seja, um aumento no número de animais mortos que foge ao que seria esperado em uma situação normal”, explica o  Diretor de Pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, o médico-veterinário Milton Marcondes.

De 2002 a 2005 foi registrada uma média de 22 encalhes da espécie por ano no Brasil. De 2006 a 2009 este número subiu para cerca de 37 animais e em 2010 atingiu o recorde  de 96 ocorrências. Ainda não se sabe o que causou a elevação da mortalidade de jubartes no ano passado. Duas hipóteses trabalhadas pelos pesquisadores são: falta de alimento na Antártida devido a mudanças nas condições climáticas ou algum agente patológico novo, para o qual as jubartes não têm proteção. “Talvez nós nunca tenhamos a certeza do que ocorreu em 2010, mas este evento pelo menos serviu para criar uma rede de investigação de pesquisadores do Brasil, Argentina, Austrália, África do Sul, Espanha e Estados Unidos por meio da qual  os países trocam informações de forma sistemática para tentar entender melhor o que está acontecendo com as baleias no Hemisfério Sul” diz Marcondes.

Mortalidades elevadas de baleias ocorreram também na Austrália e na Argentina. Na Austrália morreram 45 jubartes em 2009. Na Argentina outra espécie, a baleia franca, apresentou um alto índice de mortalidade entre 2007 e 2009. Marcondes afirma que “atualmente, as baleias precisam conviver com um litoral ocupado pelo ser humano. Atropelamento por grandes embarcações e captura acidental em redes de pesca são alguns exemplos de causas de encalhes em nossos dias. A própria degradação do meio ambiente pode ser um fator que afeta a saúde destes animais, tornando-os mais susceptíveis a doenças. Para entender melhor o efeito destes impactos sobre as baleias e propor ações para sua recuperação é importante avaliar cada baleia encalhada e buscar descobrir o que causou sua morte”.

O Projeto Baleia Jubarte, realizado pelo Instituto Baleia Jubarte, é patrocinado oficialmente pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Ambiental.