Biólogos avistam baleias e outros cetáceos em expedição inédita na Cadeia Vitória-Trindade
01/09/2010
Pesquisadores do Instituto Baleia Jubarte avistam animais e coletam informações para pesquisa sobre vida marinha na costa leste brasileira
Estudar uma região inóspita do oceano, ainda pouco navegada e conhecida, a mais de 1.200 km do porto abrigado mais próximo do continente. Este é o desafio que motivou uma equipe de pesquisadores do Instituto Baleia Jubarte a embarcar rumo àquela que deve ser a mais importante expedição realizada em 2010. Intitulada Expedição Trindade, a viagem contempla uma região pouco estudada e, ao mesmo tempo, rica em possibilidades de análise da vida marinha: a Cadeia Vitória-Trindade, marco geográfico do mar brasileiro, que consiste numa cadeia de montanhas rochosas submersas. O objetivo é caracterizar as populações de baleias jubarte (Megaptera novaeangliae) e de outros cetáceos que passam pelos arredores das Ilhas de Trindade e Martin Vaz e pela Cadeia Vitória-Trindade, ao largo da costa brasileira. As Ilhas, únicas partes emersas da Cadeia, com mais de cinco mil metros de altura da base marinha até o topo emerso, são os picos mais altos e afastados da costa (a leste da cidade de Vitória – ES).

A Expedição, coordenada pelo pesquisador Leonardo Wedekin, tem como proposta responder as seguintes questões: quantas baleias visitam as Ilhas de Trindade e Martin Vaz? A qual estoque reprodutivo (população) elas pertencem? São as mesmas que visitam anualmente os mares continentais brasileiros, a mais de 1.200 km a oeste? Sabe-se que regiões oceânicas com formações semelhantes abrigam uma fauna rica em cetáceos (mamíferos aquáticos), ainda pouco estudada. Desta forma, “qualquer informação que se obtenha sobre estas espécies oceânicas, entre elas a baleia jubarte, é de grande valia para pesquisa e, como conseqüência, para a conservação destes animais”, diz o pesquisador Leonardo Wedekin.
Baleias jubarte e outros cetáceos já estão sendo avistados na expedição, de acordo com informações transmitidas pela equipe do Instituto Baleia Jubarte. Quando um grupo de animais é observado, a embarcação se prepara para se aproximar e iniciar o trabalho de pesquisa, que inclui, entre outras ações, a foto-identificação e a coleta de informações sobre a posição geográfica, o tamanho do animal, a composição do grupo e comportamentos. As amostras de pele e de gordura das baleias e de outros cetáceos são coletadas para análises genéticas e de contaminantes. Registros bioacústicos também são efetuados com o uso do hidrofone, um equipamento de áudio adequado para o mar.
A expectativa para o retorno, quando apresentarão o resultado deste trabalho de pesquisa, é grande. A equipe está no mar desde o dia 19 de agosto em um catamarã a vela e motor com 18 metros de comprimento. O retorno na cidade de Caravelas, extremo sul da Bahia, está previsto para a primeira semana de setembro, a depender das condições meteorológicas. São 10 dias de amostragem da cadeia Vitória-Trindade durante a travessia de ida e volta, e 10 dias de amostragem nos arredores das Ilhas Trindade e Martin Vaz.
Com a participação dos pesquisadores Clarêncio Baracho, Leonardo Wedekin e Marcos Rossi e do coordenador Eduardo Camargo, todos do Instituto Baleia Jubarte, a Expedição conta ainda com a presença do pesquisador Paulo Simões Lopes, da Universidade Federal de Santa Catarina. A realização é do Instituto Baleia Jubarte em parceria com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos da UFSC e conta com apoio da Petrobras, da Fundação Ecoaplub, da Marinha do Brasil e da Secretaria para a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM).