Cacauicultores e ambientalistas discutem agenda verde para o Sul da Bahia
05/08/2010
3ª Oficina do Diálogo do Cacau ocorre entre 19 e 20 de agosto em Itabuna
Representantes de organizações sócio-ambientais, indústrias, instituições governamentais, agricultores familiares e produtores de cacau estarão reunidos entre os dias 19 e 20 de agosto na 3ª Oficina do Diálogo do Cacau, em Itabuna. O evento irá discutir resultados de ações desenvolvidas a partir da linha de financiamento do BNB, o FNE Verde, que financia atividades com ênfase da conservação ambiental, caso do sistema de produção de cacau conhecido como Cabruca.
O evento irá discutir, entre outras ações, a cooperação técnica entre o Instituto do Meio Ambiente (IMA) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), envolvendo a elaboração e execução de planos de manejo agroflorestal com ênfase na conservação produtiva e na adequação ambiental dos imóveis, agilizando o processo de manejo de espécies florestais. Outros assuntos também serão destaque como o pagamento por serviços ambientais, que já conta com um projeto piloto para a região, certificação sócio-ambiental e a promoção de cadeias de valor envolvendo cooperativas de agricultura familiar.
Segundo o secretário executivo do Instituto Cabruca - uma das instituições integrantes do Diálogo, Durval Libânio, os produtores estão percebendo que o caráter conservacionista da cacauicultura pode trazer inúmeras vantagens competitivas para a cadeia. Promovendo a manutenção de uma paisagem florestal com uma economia verde, os chamados econegócios, além de agregar valor ao produto, os produtores potencializam alternativas econômicas como turismo rural, ecoturismo, silvicultura de espécies nativas da Mata Atlântica e movelaria fina utilizando madeiras mortas e exóticas.
Para isso, segundo o coordenador do Diálogo, Alex Coutinho, representante da CARE Internacional, é necessário a consolidação de um programa que envolva licenciamento, fiscalização e principalmente a conscientização do produtor sobre os benefícios de se cumprir a legislação. “Os remanescentes de Mata Atlântica e o Sistema Cabruca formam o maior corredor ecológico que temos conhecimento, com diversidade de espécies animais e vegetais, como nenhum outro sistema agrícola”, destacou.
Recuperação – O setor cacaueiro baiano teve seu ápice da década de 80 quando chegou a produzir cerca de 400 toneladas do produto. Hoje, ainda se recuperando da vassoura de bruxa, são produzidas cerca de 120 mil toneladas anuais do produto, movimentando 600 milhões de dólares. A cultura ocupa cerca de 500 mil hectares de área plantada, em sua maioria em pequenas e médias propriedades. Atualmente, cerca de 25 mil produtores se dedicam à produção do cacau. Segundo dados do Instituto Cabruca, a possibilidade do manejo agroflorestal sustentável, com elevação da produção para cerca de 250 mil toneladas em médio prazo, associadas a outras atividades, poderão elevar o PIB do setor para cerca de 3 bilhões de dólares, com aumento significativo da cobertura florestal protegida.
Serviço:
3ª Oficina do Diálogo do Cacau
Data: 19 e 20 de agosto
Hora: das 8:30 as 18h
Local: Centro de Treinamento da CEPLAC – Itabuna