IAF alerta que baixo crescimento
do ICMS preocupa
09/03/2010
Para o diretor de Assuntos Econômicos do Instituto
dos Auditores Fiscais do Estado da Bahia (IAF) e coordenador do Grupo
de Estudos da Sefaz do Futuro, auditor fiscal Sérgio Furquim,
apesar de manter o sexto lugar no ranking de arrecadação
de ICMS, a Bahia corre sério risco de perder o posto. A informação
foi divulgada no Diário Oficial do Estado de hoje (9/3).
Furquim alerta que, apesar de a Bahia manter a marca
histórica, preocupa a baixa taxa de crescimento frente aos
demais estados. Segundo levantamento realizado pelo IAF, com base
nos dados do COTEPE, órgão técnico do CONFAZ
, a Bahia foi o estado com menor crescimento da arrecadação
de ICMS nos últimos quatro anos. Estados como São Paulo,
Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo, tiveram um
crescimento de arrecadação no período entre 2006
e 2009 de 35,85% (SP) a 27,71% (RS), enquanto na Bahia o crescimento
foi de apenas 17,88%. “Se comparado aos outros Estados do Nordeste
a situação se apresenta ainda mais grave, pois estados
como o Piauí e Pernambuco, com taxas de crescimento de arrecadação
de 48,49% e 41,60%, respectivamente, demonstram ter uma administraçã
o tributária muito mais eficiente”, comentou Furquim.
Segundo o auditor fiscal, há um fato importante
que está sendo omitido pela Secretaria da Fazenda: a arrecadação
de fevereiro de 2010 voltou a cair e sequer chegou a alcançar
o valor obtido no mesmo período do ano de 2008, antecipando
um receio que muitos tinham de que o governo voltará a ter
dificuldade de alcançar as receitas previstas no orçamento
de 2010.
As medidas adotadas pela equipe da Sefaz precisam ser
rediscutidas, pois a transformação de agentes de tributos
em fiscais, sem concurso público e o aumento da carga tributária
de diversos produtos não se mostraram eficientes para combater
os efeitos do baixo crescimento da arrecadação baiana,
incapaz de fazer frente ao aumento das despesas do Estado, especialmente
as de custeio, o que levou a Bahia a alcançar o limite previsto
na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Indagado sob a justificativa dos técnicos da
Sefaz, de que os dados do ranking de crescimento de arrecadação
conteriam distorções em razão da anistia e do
perdão de débitos tributários concedidos às
empresas de telefonia, em 2006, o diretor do IAF foi taxativo: “os
dados do levantamento são os que constam no COTEPE, e se referem
à arrecadação de ICMS nos estados, em períodos
específicos. Desafio qualquer um que queira desmentir as informações
que integram o ranking, o que não podemos é adulterar
os dados por conveniência, como fez a Secretaria da Fazenda
da Bahia, que retirou de sua análise parte da arrecadação
das empresas de telefonia em dezembro de 2006 para melhorar sua base
de comparação, e assim obter um resultado maquiado”.
Para Furquim, a aplicação de recursos
do PAC em obras de infraestrutura e a capacidade de atrair investimentos
privados fazem toda a diferença quando o assunto é crescimento
econômico e melhoria de arrecadação. "Enquanto
o governo baiano ainda se gaba de ser a locomotiva do Nordeste, investimentos
do PAC no Porto de Suape e no Porto de Itaqui, chegam como verdadeiros
“trens-bala”, impulsionando a economia e deslocando o
vetor de desenvolvimento para aquela região", finalizou.
Questionado se o IAF estaria fazendo política,
conforme teria afirmado o Superintendente de Administração
Tributária, Claudia Meirelles, o dirigente do IAF se mostrou
indignado: "É preciso ter humildade e aceitar críticas,
sem apelar para estes tipos de subterfúgios. Fatos são
fatos. Nestes casos o melhor que se faz é baixar a cabeça,
encarar a realidade e procurar acertar".